OS DETERMINANTES DA DIVERSIDADE BIOLÓGICA DA HERPETOFAUNA NEOTROPICAL

Geralmente, a diversidade biológica de um região é identificada com base na riqueza, isto é, o número de espécies formalmente descritas que habitam tal região. Apesar de informativa, esta métrica é relativamente simples e não captura todos os componentes da biodiversidade, principalmente quando diferentes escalas ecológicas e evolutivas são consideradas. Desta maneira, há muitas décadas ecólogos e biogeógrafos se empenham em elucidar os padrões evolutivos dos mais diferentes componentes da biodiversidade, como as diversidades funcional, filogenética e, mais recentemente, a diversidade genética das comunidades. Compreender os processos evolutivos que determinam os atuais padrões geográficos obtidos por estas métricas em diferentes escalas ecológicas é essencial para que possamos desvendar aspectos fundamentais sobre a origem da biodiversidade Neotropical. Além disso, investigar a influência relativa que estes diferentes espectros da biodiversidade podem ter na tomada de decisões conservacionistas ainda é um tópico altamente debatido na literatura científica moderna. Desta maneira, estimativas das diversidades taxonômica, filogenética, funcional e genética das comunidades podem fornecer subsídios inestimáveis para que seja possível realizar testes de hipóteses robustos acerca dos processos evolutivos que efetivamente determinam os atuais padrões da biodiversidade da região Neotropical, claramente a maior do planeta. Nesta mesa redonda iremos resumir e conciliar diferentes fatores que determinam a diversidade biológica da herpetofauna Neotropical, através de distintas abordagens científicas e testes de hipóteses dos mecanismos biogeográficos e ecológicos que influenciam a diversidade das comunidades. Tais aspectos serão apresentados sob um ponto de vista evolutivo e considerando suas implicações para a conservação da biodiversidade.

Palestra: Determinantes da diversidade genética da herpetofauna Neotropical
Participante: Fabricius M.C.B. Domingos – Universidade Federal de Mato Grosso

Palestra: Phylogenetic and functional diversity identifies key areas for the conservation of Brazilian Cerrado lizards
Participante: Jéssica Fenker – Australian National University

Palestra: Fathoming coral snake mimicry: the role of mimicry on functional and genetic diversity of mimics and models
Participante: Renan Janke Bosque – University of Mississipi

Palestra: Unveiling the patterns of diversity and distribution of Neotropical snakes
Participante: Thaís B. Guedes – University of Gothenburg

Palestra: Drivers of spatial patterns of taxonomic, phylogenetic, and functional diversity of South American anurans
Participante: Lilian Sayuri Ouchi de Melo – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho

Palestra: Quais os determinantes da diversidade funcional e filogenética de lagartos na Amazônia
Participante: Alan Filipe de Souza Oliveira – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia


BOOSTING DISCOVERY OF NEW SPECIES OF AMPHIBIANS AND REPLTILES

Stunning images and maps of our plant are bold manifestations of how much technological advances have boosted our knowledge of the Earth’s physical environment. This increasingly detailed environmental lens on our planet contrasts starkly with our coarse knowledge about biodiversity – key pieces of the Earth’s biodiversity puzzle are still lacking. Even the mere existence of species might scape our awareness. Conservative estimates indicate that we only know 13 to 18% of all living species of the planet, although this number could be as low as 1.5%. In this time of environmental and genomics data revolution, this biodiversity shortfall is not only scholarly embarrassment, but also a significant impediment to a responsible management of our planet resources. Species are going extinct before humans ever realized their existence. In this round table, we intend to cover different aspects of the Linnean shortfall, the discrepancy between the number of existing species and those formally described. The first talk introduces the topic and discuss it within a spatial and temporal context while using global amphibians and reptiles. The second talk illustrates how even species collected and housed in scientific collections might be affected by our ignorance on biodiversity knowledge. The third talk discuss how bioacoustics traits might affect the probability of detection and description of new species. At the end of this roundtable, we hope our audience could understand factors underlying the Linnean shortfall and have a glimpse on how to improve efforts to maximize species discoveries.

Palestra: Describe what you hear: The influence of bioacoustics parameters on species discoveries
Participante: M.Sc. Carla S. Guimarães – PhD student in Ecology and Conservation do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul

Palestra: Priority areas for the discovery of new species of amphibian and reptiles
Participante: Dr. Mario R. Moura – Postdoctoral associate researcher of Department of Ecology and Evolutionary Biology of Yale University

Palestra: Determinants of the time-lag in species discoveries of global reptiles
Participante: Jhonny J. M. Guedes – M.Sc. in Animal Biology do Departamento de Biologia Animal da Universidade Federal de Viçosa 

 

ESTRATÉGIAS NA REDUÇÃO: ADAPTAÇÕES MORFOLÓGICAS A MINIATURIZAÇÃO EM ANFÍBIOS E RÉPTEIS

O fenômeno de miniaturização consiste em processos evolutivos que resultam em um tamanho corporal reduzido ao longo de uma linhagem, provocando alterações dramáticas na morfologia, fisiologia e ecologia dos organismos em que ocorre. Diversas vantagens adaptativas têm sido associadas à miniaturização em vertebrados, tais como a ocupação de nichos fisicamente pequenos, prevenção de predadores, diferenciação de recursos alimentares, invasão de habitats com poucos recursos e alcance rápido de maturidade reprodutiva. A mesa redonda em questão versará sobre essas modificações morfológicas em anfíbios e répteis.

Coordenadora: Dra. Roberta Richard Pinto

Palestra: Simplificações estruturais e inovações morfológicas em Scolecophidia: efeitos da miniaturização?
Participante: Dra. Angele dos Reis Martins

Palestra: Adaptações Musculatures em Scolecophidia
Participante: MSc. Bárbara Cristina da Silva Francisco

Palestra: Entre os menores tetrápodes: miniaturização em anfíbios anuros
Participante: Dra. Thais Helena Condez

 

MULHERES NA HERPETOLOGIA ONTEM, HOJE… E AGORA? DISCUTINDO GÊNERO PARA UMA EFETIVA INCLUSÃO

Uma nova onda do feminismo reacendeu a discussão sobre a equidade entre gêneros no mundo todo. Assim como em outras áreas, artigos e fóruns têm discutido a atuação das mulheres nas ciências, buscando resgatar sua relevância histórica e ressaltando a necessidade de sua participação efetiva na produção do conhecimento. Por outro lado, tais discussões também destacam as barreiras que ainda se fazem presentes e procuram elaborar propostas com o objetivo de tornar a ciência mais equitativa. Em um congresso cujo tema é a “Herpetologia Inclusiva”, reunimos nesta mesa redonda herpetólogas que vêm se dedicando a analisar o tema do gênero na carreira profissional. Estas mulheres atuam em várias áreas da herpetologia, encontram-se em diferentes fases de sua carreira, e estão distribuídas em diversas regiões do Brasil. Como resultado de suas experiências na vida acadêmica e profissional as mesmas têm reunido dados a respeito deste tema, participado de simpósios e atuado na propagação e implementação de medidas para maior equidade entre os gêneros. O objetivo desta mesa redonda é possibilitar que estas profissionais se reúnam para compartilhar experiências e reflexões pessoais, além de apresentar dados de pesquisas sobre carreira acadêmica, atuação em empresas de consultorias e licenciamento ambiental, maternidade, trabalho em campo, participação das mulheres na herpetologia, além de discutir propostas e abordagens para que a herpetologia e a ciência em geral se tornem de fato inclusiva, justa e equitativa.

Palestra: Precisamos falar sobre gênero!
Participante: Clarissa Canedo – Universidade do Estado do Rio do Janeiro (UERJ)

Palestra: O vazamento de gêneros na Herpetologia Brasileira: detectando e vencendo barreiras
Participante: Fernanda de Pinho Werneck – Pesquisadora Associada do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Professora Visitante no Exterior na Harvard University

Palestra: O que mudou na herpetologia brasileira depois de Bertha Lutz?
Participante: Luciana Barreto Nascimento – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Palestra: Mulheres na conservação e as pioneiras recentes da herpetologia brasileira
Participante: Débora Leite Silvano – Instituto Federal de Brasília / ASG Brasil

Palestra: Maternidade e carreira acadêmica
Participante: Roberta Richard Pinto – Universidade Católica de Pernambuco

Palestra: Mulheres e estudos ambientais em ambiente corporativo na visão de uma herpetóloga
Participante:  Emiliane Pereira Gonçalves – Biodinâmica Engenharia e Meio Ambiente Ltda / Biodinâmica Rio Engenharia Consultiva

 

GIRINOS DO BRASIL: CONHECIMENTO ATUAL E PERSPECTIVAS

Girinos de anuros neotropicais são tão comuns e frequentes quanto pouco conhecidos. Ainda hoje a dificuldade na identificação nessa fase da vida é muito grande e existe uma imensa lacuna de conhecimento em comportamento e história natural de girinos neotropicais. Além disso, apesar do Brasil abrigar a maior diversidade de anuros do mundo, cerca de 40% das espécies neotropicais não tem o girino conhecido. Preencher ou, pelo menos, diminuir essas lacunas no conhecimento, é essencial para avançar em direção a um ecologia preditiva e para proteger a grande diversidade de anuros no Brasil. Nessa Mesa Redonda, nosso objetivo é avaliar o estado atual no conhecimento de girinos no Brasil, avaliar se e quanto avançamos nos tópicos e lacunas de conhecimento listados no Tadpoles International Workshop (Rossa-Feres et al. 2015), identificar áreas ou assuntos prioritários e estimular o avanço no estudo de girinos no Brasil. Para isso, foram convidados como palestrantes, pesquisadores atuando em temas e biomas diferentes, de modo a apresentar um panorama amplo do conhecimento atual sobre girinos no Brasil. Apesar de tímido, um avanço já detectado é o aumento no desenvolvimento de estudos experimentais. Entretanto, o conhecimento básico, sobre biologia e comportamento de girinos, necessário para fundamentar adequadamente o grande avanço recente nos estudos em ecologia de comunidades, representa ainda uma lacuna importante, um desafio que deve ser superado.

Palestra: Girinos do Brasil – lacunas e avanços no conhecimento no últimos 4 anos
Participante: Denise de C. Rossa Feres, Departamento de Zoologia e Botânica, UNESP, SP

Palestra: Estudos com girinos no semiárido Nordestino e outros lugares também 
Participante: Flora Acuña Juncá, Divisão de Anfíbios e Répteis, Museu de Zoologia da Universidade Estadual de Feira de Santana, Feira de Santana, BA

Palestra: Ecologia experimental: girinos como modelos em estudos de uso de microhabitat
Participante: Gilda V. Andrade, Departamento de Biologia, Universidade Federal do Maranhão, São Luis, MA

Palestra: Diversidade e ecologia de girinos da Amazônia Central
Participante: Marcelo Menin, Departamento de Biologia – ICB, Universidade Federal do Amazonas, Manaus, AM

Palestra: Girinos que se desenvolvem em bromélias e por que não sabemos quase nada sobre eles
Participante: Mirco K. Solé, Departamento de Ciências Biológicas, Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus, BA e Herpetology Section, Zoologisches Forschungsmuseum Alexander Koenig, Bonn,  Alemanha